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ReTuna: o shopping que comercializa produtos reciclados

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Por Danilo Moreira

Os shoppings centers são o paraíso do consumo e já são marca registrada pelo menos nas médias e grandes cidades. Nestes tempos em que a sustentabilidade está cada vez mais presente por meio de iniciativas individuais e de empresas, já é possível observarmos alguns desses centros de compras com práticas sustentáveis, como a coleta seletiva de resíduos deixados nas praças de alimentação e hortas comunitárias.

Recentemente, na Suécia, um shopping promove um conceito inovador: o local é especializado na venda de produtos reaproveitados. O centro comercial ReTuna Återbruksgalleria ou ReTuna Recycling Galleria foi inaugurado em 2015 na cidade de Eskilstuna, localizada a 90km da capital Estocolmo. São lojas especializadas em produtos reciclados, sustentáveis ou que passaram por upcycling (processo que transforma resíduos, produtos inúteis e descartáveis em novos materiais ou itens de maior valor, uso ou qualidade). O objetivo é divulgar uma nova maneira de fazer compras com práticas que estimulam o reaproveitamento, o consumo consciente, a economia criativa, que geram resultados que amenizam os danos ao meio ambiente. É considerado o primeiro shopping do mundo dedicado a este conceito.

O shopping trabalha com uma abordagem original em sua função de centro comercial, já que os produtos comercializados vêm de doações de pessoas que quiseram se desfazer de itens que poderiam ter ido diretamente ao lixo. Os objetos e equipamentos precisam estar em bom estado ou devem ter condições de restauração. Ao serem recebidos pelo estabelecimento, os itens ficam armazenados em um depósito, recebem classificação e passam aos cuidados de uma empresa que fará a reparação. Após o processo de reciclagem, os produtos são distribuídos às lojas conforme o plano de negócios de cada uma e ficam disponíveis para venda ao público.

“A sustentabilidade não é somente sobre guardar e consumir menos, mas fazer mais com os recursos que já temos”, destaca o site do ReTuna. O portal, inclusive, faz um convite às pessoas para levarem ao depósito do shopping os itens que estejam quebrados ou que teriam destinação certa para o lixo. O local conta com uma espécie de “drive thru”, onde é possível estacionar o carro e deixar as doações de forma prática. Produtos que não possuem condições de comercialização são reciclados em um centro anexo ao estabelecimento e são enviados para outras destinações, como adubo, por exemplo. Se as lojas compram produtos novos, como café, os itens precisam ser orgânicos ou sustentáveis para estarem alinhados com a proposta do centro comercial.

Atualmente, o shopping possui 14 lojas que trabalham com diversos tipos de produtos como roupas, acessórios, bicicletas, materiais esportivos, gadgets, materiais de construção, móveis e itens para o lar. A alimentação no shopping fica sob a responsabilidade de um restaurante que serve apenas alimentos de origem orgânica. O shopping também conta com um centro educacional, um salão de conferências, sala de reuniões, três pequenas lojas pop-up (comércios temporários), e um local onde os visitantes podem visualizar um catálogo eletrônico com todos os produtos à venda e encomendá-los on-line. O portal também convida empreendedores de outros ramos a participarem do projeto como artesãos, cabeleireiros com práticas sustentáveis ou que trabalhem com cosméticos orgânicos, entre outros profissionais, com o objetivo de aumentar a diversificação de segmentos no local.

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O ReTuna foi criado e desenvolvido por uma equipe de ativistas ambientais que moram em Eskilstuna, com o objetivo de tornar a cidade um exemplo em políticas de gestão de resíduos. A ideia foi bem recebida pela população local, que descobriu na prática da reciclagem a forma criativa com que itens, geralmente descartados, se tornem produtos incríveis e com potencial de comercialização.

Segundo a gerente Anna Bergstrom, as pessoas vão ao local doar um móvel ou roupa velha, por exemplo, e acabam atraídas pelos itens à venda, encontram utilidades para a sua casa e depois vão fazer um lanche no restaurante com alimentos orgânicos. "Quando você sai daqui, deve sentir que fez algo de bom para o meio ambiente", explica, em uma publicação do site oficial.

O ReTuna Recycling Galleria é uma ideia interessante e que traz grandes possibilidades no que diz respeito à práticas criativas e sustentáveis, pois, além de estimular a população local a destinar corretamente os materiais, fomenta um tipo de empreendedorismo em crescimento no mundo, além de ser uma oportunidade para divulgar trabalhos, técnicas de restauração e ideias inovadoras.

Localizado na longínqua Suécia, este projeto é um ótimo exemplo de práticas criativas em prol à preservação do meio ambiente. É a transformação do consumismo em uma ideia sustentável de grande impacto social e cultural, que pode se espalhar para mais cidades e países, como o Brasil. Já pensou como a prática seria recebida por aqui?

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Para conhecer mais sobre o shopping, assista ao vídeo que mostra uma visão geral do local clicando aqui.

Produtos usados

A ideia do ReTuna é inovadora em sua proposta. Contudo, o formato de venda de produtos usados já existe há muito tempo e o Brasil possui exemplos dessa prática, que inclusive virou tendência, especialmente para antenados em moda, artesãos e colecionadores de todo tipo. É uma alternativa que se transformou de uma economia popular a uma inovação quando a ela se associam a visão de customização. Os tradicionais comércios de produtos usados geralmente são locais que compram itens antigos de proprietários que querem se desfazer deles, e estes itens passam a serem revendidos a preços atrativos. São ótimas opções para quem possui limitações financeiras e precisa mobiliar a casa ou necessita de livros para cursar a faculdade, alem de serem uma prática sustentável já que cria, aos poucos, a consciência de que um produto que está sobrando em casa pode ter um destino de reaproveitamento.

Brechós: No século XIX, mesmo período em que os comércios de segunda mão, os chamados "mercados de pulgas", começavam a ganhar fama na Europa, um mascate chamado Belchior abriu no Rio de Janeiro uma loja de roupas e artigos usados. À medida que o local ganhava fama e se expandia, a Casa de Belchior – que o povo local acostumou-se a chamar de “Brechó" – passou a ser sinônimo de loja de roupas usadas. Atualmente, existem diversos brechós espalhados pelo país e se tornaram os queridinhos das pessoas ligadas em moda e que adoram garimpar achados (inclusive vindos de grifes famosas) para criar novos visuais. Pessoas mais engajadas nas práticas sustentáveis também gostam de montar seu guarda-roupa com base no que compram nesses estabelecimentos e até profissionais que trabalham com figurinos para dramaturgia. Além do nome “Brechó” estar muito relacionado à venda de roupas, existem estabelecimentos que revendem outros tipos de produtos, como bolsas, móveis e eletrônicos. Com a internet, também é possível adquirir roupas por meio de brechós on-line.

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Lojas de móveis e eletrodomésticos usados: locais que revendem móveis e eletrodomésticos antigos e em bom estado de conservação. Em algumas lojas do bairro paulistano do Bixiga, por exemplo, você pode encontrar móveis com mais de cinquenta anos de idade. Esses locais também costumam ser frequentados por colecionadores de móveis de época, pessoas com práticas sustentáveis e artesãos, que compram e customizam itens. Existem também sites onde pessoas anunciam móveis usados, voltados principalmente para pessoas que estão mobiliando uma quitinete, por exemplo, mas não dispõem de recursos para comprar móveis novos ou preferem os antigos por motivos pessoais.

Sebos: Os sebos são muito frequentados especialmente por universitários, que não podem gastar muito e preferem comprar livros usados para utilizar nas disciplinas da faculdade. CDs, LPs e jogos também marcam presença nesses locais e fazem a alegria dos colecionadores. Um dos mais conhecidos em São Paulo é o Sebo do Messias, localizado no Centro de São Paulo. Existe também a Estante Virtual, uma plataforma que reúne livros usados e novos de diversos sebos do país.

Celulares antigos: vivemos na era dos smartphones e uma característica desse tempo é a obsolescência programada, já que celulares com pouco tempo de uso já são considerados “ultrapassados”, enquanto diversos modelos são lançados mensalmente. O resultado é conhecido: quem não tem ou não conhece alguém que possua celulares em bom estado e sem uso em casa? Se você tem um celular antigo e não sabe o que fazer com ele, uma alternativa interessante é vendê-lo para sites que comercializam aparelhos usados, como o Trocafone. Alguns grandes varejistas inclusive já aceitam aparelhos antigos e reverte-os em descontos promocionais na compra de um novo. Importante ressaltar que tanto o valor de compra pela loja revendedora quanto o da comercialização depende do modelo do aparelho, da idade e condições de uso.

Existem outras opções de estabelecimentos especializados na revenda de produtos, mas todas elas têm em comum uma prática sustentável de dar um novo valor a itens mais antigos e que poderiam ter sido descartados. Além da vantagem econômica, já que boa parte pode ser adquirida por novos proprietários a um preço mais acessível, são bons exemplos de práticas sustentáveis e que já estão presentes em nosso dia a dia.

Com informações de: ReTuna, Stylo Urbano, Moleco, Revista Casa e Jardim, O povo, O Globo 
Fotos: Divulgação/ ReTuna, Reprodução/ObaOba 



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